
Brasil, terra de sonhos e de Quixotes! Em meio às planícies digitais do século XXI, surge uma nova batalha: o governo, brandindo sua lança na direção das casas de apostas online e de seus promovedores, sob os olhares de um povo cada vez mais depauperado. Assim, inicia-se a saga da CPI das Bets.
Esse duelo é tudo, menos épico. O governo, jura que vai regulamentar as apostas. Afinal, há ali um tesouro de tributos esperando para ser conquistado! No fundo, a lógica é simples: se o povo vai gastar dinheiro com isso, que ao menos o Estado receba sua parte. Parece justo, não é mesmo?
Entretanto, como nas histórias de nosso bravo Dom Quixote, existe o vilão disfarçado de moinho de vento: as casas de apostas que prometem fortunas para todos, mas que pouquíssimos conseguem ganhar apenas algumas migalhas. A maioria, coitada, não tem a menor ideia de probabilidade, estatística ou até de como funciona o jogo.
Afinal, quem é o cavaleiro em nossa história? O governo, veste-se de armadura reluzente, mas parece não querer demolir os moinhos.
Os brasileiros, sempre em busca de um dinheirinho a mais, se deixam seduzir por ganhos que não obteriam de outra maneira legal. O povo, em sua maioria, não está munido de escudo ou de espada, apenas de boletos a vencer e esperanças de dias melhores. Quando a propaganda do “ganhe dinheiro enquanto se diverte” aparece, muitos enxergam ali a única chance de sair do aperto, mas no final, como sempre, quem lucra são os cassinos virtuais e agora também o governo, que vai abocanhar sua parte do butim.
É aqui que o Brasil precisa de um Sancho Pança para lembrar o seu Quixote que nem todo moinho de vento vale a luta. Na prática, regulamentar não resolve o problema: só oficializa a exploração. E se o objetivo é proteger a população, a proibição é a solução, como já se fez com os bingos, lá nos idos de 2004.
Porque no fundo, ninguém aposta só por diversão. Quem ganha pouco, sonha muito e quem sonha muito, vira presa fácil para quem promete o impossível. Enquanto isso, o governo monta seu Rocinante, de olho no tesouro, mas esquece que o tesouro maior deveria ser o bem-estar de quem não tem quase nada.
E assim seguimos, entre apostas, promessas e ilusões. Como diria Dom Quixote: “Sonhar o impossível sonho é nobre, mas quando o sonho vira armadilha, é hora de guardar a lança e acordar para a realidade.”